sexta-feira, 31 de agosto de 2007
Rapidinhas
É porque tem ministro LevandoWisk.....
Sabe qual o nome novo do partido da Senadora Banguelelena ?
PDSOL (partido do dente Solto)
Sabe por que Débora Secco acha todos os homens iguais ?
Porque à SECO é muito complicado, prá qualquer um....
Extra, Extra... Furacão na Flórida afeta cotação dos Senadores em Brasilia.
quiáquiáquiá!!!!!
terça-feira, 28 de agosto de 2007
O DissiDENTE
Pluft!!!
Puta que o pariu, pensou assustada a Senadora...
- Dentista “fela da puta”, provisório vai ser é o seu registro...
E lá se foi o dente, livre como um pássaro a voar diante das câmeras de TV para milhões de telespectadores.
Desde o início da semana, a Senadora suspeitava que aquele dente, que já lhe havia pregado uma peça há alguns anos atrás, preparava-lhe algo verdadeiramente surpreenDENTE.
Precavida, foi consultar-se com o seu dentista que já há muitos anos lhe cuidava da saúde bucal. Aproveitou que estava em sua terrinha e dirigiu-se para o endereço de costume, na praia de Pajussara. Ao chegar lá, deparou-se com uma monumental fila de prováveis clientes, os quais aguardavam ansiosos a abertura dos portões. Desde a última crise no sistema de saúde do seu Estado, restaram poucos os profissionais de saúde dispostos a trabalhar sob as condições ofertadas pelo governo. O Dr. Jacinto era um deles.
Sem entender nada, foi até o porteiro, um rapaz alto e forte, vestido de paletó azul que, em vão, tentava conseguir conter os ânimos da multidão.
- Sr. Bom dia, eu sou a Senadora e gostaria de saber se o doutor Jacinto Dores se encontra.
- O Dr. Jacinto está em greve
- Greve, mas como assim ?
- Greve minha senhora! Ele tem bem uma semana que não vem aqui.
- E, não tem nenhum outro profissional na cidade que possa vir atender a toda essa gente?
- Num sei não! - Disse com ar conclusivo o cidadão..
Desiludida, a Senadora deu meia volta e contemplou a verdadeira revolução popular que aflorava a sua frente. Crise na educação, crise na saúde, crise no ar, crise na terra... Em vão, buscou palavras que pudessem ser usadas em seus próximos discursos de protesto contra o presidente, seu ex-amigo e aliado, que fossem significativamente representativas da situação. Após algumas horas pensando, enquanto perambulava pelo centro da cidade, lhe veio a única palavra que podia sintetizar tudo aquilo que seus olhos resistiam em ver.
- FUDEU!!!!
Mal acordava de seus pensamentos exitosos por encontrar a síntese do governo popular instalado no país, recebeu um banho de água vindo de uma poça formada pela chuva do dia anterior. Um carro conversível, uma Mercedes de último tipo, em alta velocidade, dirigido pelo igual colega Senador, não poupou a ilustre senadora de um ilustrativo banho. Sem perder tempo no Aurélio, recorreu ao mesmo dicionário que lhe havia brindado com o pensamento anterior para proferir uma saraivada de impropérios capazes de fazer corar até os mais despudorados.
De repente, uma dor insuportável vinda das profundezas da boca, lhe lembrou que o referido dente ainda necessitava de cuidados especiais e sem saber ao certo para onde ir, perambulou pelas ruas na esperança de que pudesse encontrar algum remanescente que lhe restabelecesse a paz. Hoje pela tarde ela teria que voltar à Brasília para participar de uma entrevista em um programa da TV aberta e este dente poderia ser um problema.
Foi quando avistou, no fim da rua, uma placa. Dr. Prudente, especialista em próteses e cirurgia geral. Para seu espanto, não havia fila na porta e parecia que o estabelecimento estava aberto.
- Tem alguém ai? - Bradou a senadora...
- Pois não, sou o Dr. Prudente, em que posso ajudá-la?
- Mas o senhor não está em greve?
- Sou recém-chegado e ainda não pude me interar das coisas da terra. A senhora é minha primeira cliente.
Um misto de medo e desesperança afogou os pensamentos da Senadora, cada vez mais sem opção.
- O senhor é formado?
- Claro, sou formado pela Faculdade Alegria, a senhora conhece?
- Nunca ouvi falar...
- Em primeiro lugar gostaria de lhe dizer que é uma honra atendê-la!
Disse o doutor enquanto arrumava a cadeira...
Ferros, crashes, plings e blongs depois, veio a sentença...
- O seu dente posterior esquerdo, está perdido. Temos que arrancá-lo
- Mas como? Tenho uma entrevista esta semana e não posso aparecer sem dentes...
- Não se preocupe, colocarei um provisório. Ninguém vai notar.
Acostumada às coisas definitivas a senadora teve que ceder aos argumentos profissionais do Dr. Prudente.
-Deva avisá-la senadora... Com o tempo, Vêm os anos, vão-se os dentes.
- Quando precisar pode me procurar que eu sou especialista em próteses e posso lhe restabelecer o sorriso caso lhe faltem dentes.
Irritada com a ousadia do protético, saiu com seu dente provisório rumo ao seu compromisso.
Câmeras, luzes, ação, deu-se inicio o evento..
Após a primeira pergunta, quando se preparava para limpar a garganta, a senadora viu ruir as suas chances de ir para a Playboy. O dente, fugiu do seu controle e partiu rumo a carreira solo, literalmente.
Mão na boca, suspiro geral, só lhe viram a mente as palavras do Dr. Prudente... “Com o tempo, vêm os anos e vão-se os dentes”
Moral da história... “ Os esquerdistas, quando novos, são contra a ditadura... Quando velhos, são a favor da Dentadura”.
segunda-feira, 9 de julho de 2007
DOIS PRETOS E DUAS MEDIDAS...
Antes que os racistas de plantão me chamem de colega, quero lhes dizer que, como não sou parente do cônsul da Suécia, sou, tal qual 99% da população baiana, afro-descendente com muito orgulho, até porque a cor me cai muito bem. Talvez não seja 100% negro, mas, se morasse nos Estados Unidos, talvez pouca diferença existisse entre a minha pele e a de Pelé.
Assim é o mundo, desde os seus primórdios. No começo da colonização do Brasil, os nossos parentes degredados mandavam seus filhos estudarem na Europa, se sofisticarem na corte, para depois animarem os saraus e festas promovidas por nossos antepassados. Era absolutamente chique vestir as roupas que eram usadas na França e copiar os gestos tresloucados da elite imperial, mesmo no clima tropical do Brasil. Vestindo-se assim, era fácil separar os ricos e influentes dos pobres. As tribos se caracterizavam não por aspectos individuais comuns dos seus membros, mas pelo estereótipo de algo que, no velho mundo, representava o poder e a riqueza.
Talvez este costume seja lastreado em algum aspecto genético do ser humano, ligado quem sabe à preservação da espécie. Porém, o fato é que a representação da posse de patrimônio funcionava muitíssimo bem na época em que as terras e os títulos definiam os cidadãos e suas respectivas castas sociais. Com o advento da revolução industrial, no século XIX, a propriedade dos meios de produção passaram a ser o fator de geração de riqueza e ostentação de poder. No mundo do tangível, a materialização das representações sociais são facilmente auditáveis, pois estão lastreadas em coisas em que se pode tocar. A pergunta que não quer calar é: Por que então no mundo do imaterial, do virtual, os brasileiros insistem em trabalhar com as questões sociais tal qual estivéssemos no século XVI ?.
O acesso as altas castas da sociedade é permitido àqueles que, tal qual nossos primos enfeitados com os métodos europeus de então, ostentem características externas em que sejam exacerbadas as evidências físicas de posses e poder. Um afro-descendente em tons mais escuros tem mais dificuldade de morar em um condomínio de luxo do que um mesmo afro-descendente de tez mais clara. Os seus filhos não podem se casar com loiras bonitas sem que pareça interesse de sua parte usurpar uma condição pertinente à sua parceira. Idem para as suas filhas que não podem se casar com o filho do cônsul da Suécia sem parecer que é aproveitamento de gringo para sair da miséria. Ou seja, o fato dos africanos terem sido escravos lhes tirou o direito de serem comparados aos arianos no plano social. Somos liberais em uma sociedade de costumes absolutamente racistas e pagamos o preço da segregação.
O pior é que a comunidade Afro-descendente entrou na briga e criou a sua própria casta, invertendo a lógica do ser dominado e passou a requerer protecionismo, aumentando, ao meu ver, a sua condição de vítima da sociedade. Nos primeiros dias após a libertação dos escravos deve ter sido primordial a adoção de medidas que lhes assegurassem o seu direito de serem livres e a sua inserção na sociedade. Mas, passados 119 anos da abolição da escravatura no Brasil, ainda precisamos de cotas? Ou serão as Cotas a única resposta do governo à questão da ascensão social do negro no Brasil? A ausência de uma abastada elite negra no País, em número suficiente para que a mensagem de que todos somos iguais perante o capitalismo seja passada de forma contundente, com certeza impede que as manifestações racistas sejam abrandadas, senão abolidas. O problema não é a cor da pele. O problema é a condição social. Os afro-descendentes estão associados à pobreza e a associação a eles remete a esta condição social. Um empreendimento de luxo talvez tenha restrições aos afros para que fique clara a condição de associação de status e riqueza do empreendimento. Ainda não fazemos propagandas de carros comprados por afros para que a mensagem de que este produto não é para qualquer um e que este é apenas para os “selecionados” seja passada como diferencial maior deste carro. Ou seja, quando a sociedade associa cor da pele à condição social, tal qual no inicio da colonização do Brasil, os de pele menos favorecida são excluídos.
Quando uma ministra se dá ao luxo de dizer que é natural um homem de pele negra não gostar de um homem de pele branca, evidencia o quanto estamos longe do verdadeiro problema. Homens brancos já escravizaram homens brancos e nem por isso eles devem se odiar. Quando o governo institui as cotas, abre espaço para que aqueles que na sua pobreza foram desprestigiados de uma educação de base digna, sejam incluídos à força nas instituições de nível superior. Este não é um assunto de inclusão social simplesmente, é matéria de estatística, muito boa para os governos, mas questionável em termos de única solução para o problema. Será que a grande maioria sem base conseguirá se superar e se transformar em geradores de riqueza, em profissionais da sociedade do conhecimento? Onde eles vão aprender a pensar, a ter a visão crítica da sociedade? É no mesmo lugar em que deveriam estar se especializando em uma profissão? O nosso caso volto a dizer, não é se o quadro é preto ou branco, o nosso problema é se o homem é pobre ou rico e aí as questões como distribuição de renda, falta de planejamento, corrupção, falta de preparo dos governantes para governar, leis feitas no joelho e cumpridas quando convém, falência na educação do país, baixas taxas de crescimento, juros altos, muitos impostos, vão sendo colocadas por baixo do tapete, com soluções tampão para as suas conseqüências.
Se quisermos ser iguais de fato e de direito, temos que optar entre duas alternativas: Ou evoluir a mentalidade social do Brasil para que deixemos de nos valer de estereótipos para classificar a quem nos juntamos, ou cobramos da sociedade que prepare o seu povo, pobres e ricos para a igualdade. Que as instituições sejam iguais para todos, afinal não há nada mais racista do que um Estado que trata pobres e ricos diferentemente. Que os homens e mulheres do Brasil sejam respeitados na sua condição de cidadão com educação digna e condições de saúde idem. Devemos cobrar medidas saneadoras e não paliativas para esta praga social que é a discriminação social, para que todas as raças tenham chances iguais de se tornarem seres sociais sem distinção. Aí quem sabe, a cor da nossa roupa passe a ser apenas um detalhe a mais do nosso visual.
quarta-feira, 16 de maio de 2007
O Voto Emocional
O Voto Emocional
- Minhas Senhoras e Meus Senhores!!
- Povo da minha terra!!
- Gente como eu!!
- Meus amigos!!!
Deve estar no manual do “politiquês” moderno que se o político usar uma das frases acima poderá angariar alguns votos de simpatizantes que o verá como um ser do povo, amigo do povo e que trabalha incansavelmente pelo povo. Quem de nós não já se surpreendeu ao ver pessoas claramente mentindo em horários políticos da televisão escondendo-se por trás de frases de efeito como “tudo pelo social!!”, “gerando emprego e renda!!”, na nítida percepção de alguém vai acreditar neles.
O fato é que todos nós sentimos amor, amizade, desprezo e até ódio por algumas pessoas em nossas vidas. Esses sentimentos, segundo “a Vidente” Jo-Ellan Dimitrius em seu livro “Decifrar Pessoas”, tendem a comprometer nossa objetividade. “Não queremos pensar mal das pessoas que amamos e não queremos ver nada de bom naquelas que odiamos. Para complicar ainda mais a questão, não gostamos de mudanças. Por segurança e conveniência, temos um compromisso emocional – conosco – de manter as coisas exatamente como estão. A mesma corrente subterrânea que nos leva na direção do Status Quo também deturpa nossa objetividade quando estamos decidindo se devemos mudar”. Diz ainda a mesma escritora “quanto maior o compromisso emocional, maior a tendência a se comportar irracionalmente”.
Quinto Túlio Cícero, em carta ao irmão, Marco Túlio Cícero, candidato ao Consulado no ano 64 antes de Cristo, aconselhava-o a pensar, todos os dias, nas seguintes perguntas: “Que cidade é essa? Que cargo você pleiteia? Quem é você?” E sugeria a resposta: “Sou um homem novo, quero ser cônsul, aqui é Roma”. O homem novo expressava o perfil de resistência aos preconceitos dos velhos políticos; o cônsul era o cargo público mais elevado, algo como o presidente da República; e Roma designava tanto a capital quanto um país de vasta extensão que dominava o mundo mediterrâneo. Assim, como podemos observar, a fraqueza humana para o lado emocional no momento de avaliarmos os candidatos aos cargos públicos vem dos primórdios da sociedade organizada.
A quebra de paradigmas é o principal desafio imposto pelos que chegam ao mundo da política, para que os observadores o vejam como algo diferente, desafiador da ordem vigente e, portanto, merecedor de preciosos votos daqueles que ousam quebrar as barreiras da sua zona de conforto. De um jeito ou de outro, votamos pelo que sentimos e não pela racionalidade.
José Serra claramente perdeu a eleição para a presidência do Brasil porque não sabe sorrir, é feio e não fala a língua do povo. Atributos absolutamente dispensáveis quando pensamos em um administrador da coisa pública. Mesmo com a superexposição que recebeu na campanha, que o permitiu galgar rapidamente ao cargo de Governador do Estado, ele não teve chances contra um cara simpático, sorridente, de pensamento objetivo e curto e que é o povo encarnado. Quando ouço Lula conversar, fecho os olhos e me reporto ao botequim da esquina discutindo a ótima performance do Vitória no campeonato baiano e o porquê do Bahia estar na terceira divisão. E isto não o impediu de se eleger presidente da república por duas vezes consecutivas.
Ganhar o povo e a sua simpatia passaram a ser o único instrumento necessário a alguém se eleger a um cargo público. Propostas concretas para a melhoria das nossas vidas é algo secundário e acessório que não entra na discussão quando o assunto é política. Como resultado, ganhamos um poder público que legisla em causa própria, só pensa em poder, votos e dinheiro, sem se importar com os impactos negativos à sociedade dos quilos de decisões não tomadas por não se traduzirem em votos, dinheiro e poder ou por serem impopulares.
A cidade do Salvador é um exemplo claro disto. Temos uma prefeitura que não trabalha, vereadores que jamais viram uma verdadeira metrópole, sem falar nas comissões improdutivas do Estado e nos problemas estruturais que temos e não sabemos resolver. A nossa simpatia e medo de mudar, medo de pensarmos diferente, está nos condenando à mediocridade.
Se agíssemos diferente, cobrando propostas concretas de um pensamento desenvolvimentista e planejado dos nossos governantes, quem sabe poderíamos eleger pessoas feias e antipáticas, mas profundamente competentes, que poderiam resolver problemas sociais graves que temos há anos e que os bonitões não querem resolver. O voto do chinelo, da camisa, da falsa amizade, está sustentado por um sorriso temporal, por uma disponibilidade de acesso ao político absolutamente pontual e sem nenhum benefício concreto. Trocar nosso futuro por um par de chinelos, um emprego da tia, ou um amigo no poder é jogar fora a nossa chance de futuro. Deixar a emoção para a Fonte Nova no domingo, sem perder senso critico, é melhorar as nossas possibilidades de um futuro melhor e, com certeza, é diminuir a sensação de que somos diariamente enrolados.
quarta-feira, 2 de maio de 2007
É Só Alegria
Diz o povo que a hiena é um animal que come os seus restos e ri. Ri de que mesmo hein ? Talvez este animal consiga sentir um gosto especial, que vai além da nossa capacidade e, por isso, achamos o seu paladar um tanto singular. Existem populações que comem tantas “especiarias” exóticas que nos impedem de conceituar as hienas como anormais. Da mesma forma, existem pessoas que diante da situação mais grave e absurda em suas vidas, uma vez indagados sobre a sua condição atual, dizem sem pensar – É só alegria!!!.
Outras pérolas saem das mentes férteis destes que, tal como as hienas, reajem de forma incomum diante de um fato de aspecto estranho. Todos nós discernimos as coisas fundamentalmente da mesma maneira, porém cada um de nós traz a essa capacidade comum uma interpretação individual adicional. O bioquímico e prêmio Nobel Gerald Edelman observou que, embora os cérebros individualmente sejam extraordinariamente diferentes, eles compartilham “experiências, características e padrões neurais comuns especialmente na experiência sensorial. Sem essa base comum, seria impossivel nosso entendimento exceto em mundos individuais isolados. Assim, nossa compreensão usa uma base neurológica humana comum, mas implementações individuais singulares.
Embora não precisemos nos aprofundar na neurociência para compreender do que estamos falando, tais informações são bastante úteis para que percebamos o quanto podemos ser ajustados à uma realidade conveniente. Nos mesmos estudos sobre os mapas da mente, se constatou que os nossos cérebros não utilizam cem por cento das informações captadas no meio externo para formarem os conceitos. Experiências prévias, outros conhecimentos ou dogmas arraigados nas profundas da mente montam esquemas chamados de modelos mentais, os quais deixam pequenas lacunas para informações novas que vão nos dizer do mundo que nos cerca. Em outras palavras, uma vez montados os nossos esquemas, captamos apenas parte do que vemos para formar o nosso entendimento do cenário ao nosso redor. O nosso computador pode ser programado para agirmos em conformidade com preceitos sociais, culturais, etnicos, religiosos e políticos, de forma que atuemos em conformidade com a ordem vigente.
Talvez isto explique porque uma pessoa que não goza de absolutamente nenhum respeito da sociedade, visto que lhe falta educação, saúde, moradia digna, pensamento crítico que lhe imunize de programações nefastas, possa dizer que sua vida de tristeza pode ser resumida à frase “É só alegria”.
Não preciso escrever muito para dizer o quanto não aprecio as campanhas que tentam inflar o ego das populações carentes em busca da formação de um “modelo mental” que lhes alivie a dor de viverem nas condições em que vivem e, ainda por cima, compareçam como fiéis escudeiros de uma ordem vigente. Em um país onde a educação é tratada como algo enfadonho que faz parte das pastas governamentais mas que não desfruta de nenhuma preocupação lógica, largamente desprezada em função dos interesses de “marketing” proporcionados pela causa, fica muito fácil emburrecer uma população, tirando-lhe a capacidade de consciência crítica e o seu poder de reinvidicar o que lhe é de direito.
Em um país em que um criminoso que leu meia dúzia de livros é tratado como gênio, onde quem fala difícil é tido como culto e onde os meios de comunicação se prestam unicamente à valorização dos seus espaços publicitários, é muito fácil ter uma população em cujo modelo mental não caibam inputs relativos à baixa escolaridade, ao descalabro na saúde pública, ao recrudescimento do crime organizado e da violência acalentada pelo poder público, à corrupção generalizada nos governos e do vazio dos líderes populistas fronteirissos de carteirinha.
Nós baianos fomos submetidos à uma campanha intensa de que somos belos, criativos e felizes. Que ser 100% negro é motivo de orgulho e até status. Mas de que mesmo hein ? A nossa população negra, que é maioria no Estado, possui os piores salários, os maiores índices de desemprego, os maiores índices de analfabtismo, precisam de vagas reservadas nas Universidades para poderem ter acesso ao ensino superior. A nossa população em geral é criativa, mas destruímos teatros para o funcionamento de bingos, estamos destruíndo a nossa indústria da música sem colocarmos nada em seu lugar. Sabemos receber mais os números do nosso turísmo são pífios se comparados a outros destinos até menos graciosos do que a nossa bela Bahia. Os nossos serviços são da pior categoria. A nossa indústria da tecnologia da informação não decola por falta de profissionais capacitados para tal, a população está empobrecendo, a capital do Estado está falida e as instituições públicas completamente podres. Mas mesmo assim... É Só alegria!!!
Sinceramente, não consigo entender o que está acontecendo!!!
Ou estamos presenciando um fenômeno de cegueira coletiva, ou estamos indo a passos largos rumo ao nosso fundo do poço. Temos que reprogramar os nossos modelos mentais, negar a toda forma de emburrecimento coletivo, a toda propaganda falsa que sirva apenas para nos transformar em símbolos de campanhas de curto alcance e de benefícios limitados à pequenos grupos. Precisamos tomar o rumo das nossas vidas, discutir ativamente o nosso futuro, sair da mediocridade de acreditar piamente em quem apenas enxerga o seu próprio umbigo. Temos que romper os grilhões desta escravatura cultural em que nos metemos e pensar criticamente em nossos destinos. Podemos também não fazer nada disto, continuarmos lindos, negros e felizes, pensar que tudo isto faz parte da teoria da conspiração e, quando o futuro chegar, quando estivermos mendigando as raspas de um mundo tecnológico e global, agradeceremos aos nossos senhores com um belo sorriso e com o indefectível... É Só Alegria! Axé!
Paulinho de Tarso – 02/05/2007
quinta-feira, 26 de abril de 2007
A Qualidade, a Ética e a Igualdade nas Compras Públicas
Diversos modelos estão sendo colocados em prática no mundo. Basicamente, os modelos de desenvolvimento das indústrias estão lastreados em processos de compras protegidas, ou seja, compras que apresentam características particulares que privilegiam setores induzidos pelo Estado, concessões fiscais, barreiras alfandegárias, acesso facilitado a crédito, dentre outros instrumentos de fomento conhecidos. Este é o cenário de uma batalha sangrenta entre a ética e a lógica, travada todos os dias entre o Estado e os seus fornecedores.
Ainda na questão legal, outro termo que chama atenção é o da chamada “oferta mais vantajosa para o Estado”. Neste ponto, é importante desvincular o termo “vantagem” da abordagem perniciosa trazida pela “Lei de Gerson” onde o Estado possa comprar de forma tal que quem lhe venda seja reduzido às traças, restando-lhe minimamente a subvenção dos custos inerentes à operação. Ao contrário, lendo nas entrelinhas, entende-se pela aquela oferta que atenda aos requisitos mínimos estabelecidos em edital e que apresente as melhores condições de aquisição. Em uma abordagem popular, seriam as ofertas com melhor relação custo x benefício.
O que tem acontecido com muita freqüência é que o Estado tem comprado mal, pago mal, mesmo com a responsabilidade fiscal, e pago caro por isto. Em grande medida, as compras publicas, no anseio de cumprirem fielmente os preceitos legais - aqui descartadas as operações fraudulentas, matéria de direito penal e não administrativo - têm aceito ofertas bastante aquém do desejado, dando a entender que, quando da ocorrência do processo licitatório, as comissões de licitação foram bem sucedidas ao fazerem as melhores compras, independentemente da tibieza do licitante e dos artifícios usados para o atendimento do mínimo exigido. Para maximizar os resultados, as licitações são extremamente abertas, dando espaço para que concorrentes desqualificados se apresentem como solução para os problemas do Estado. Eticamente, este processo pode estar, à primeira vista, correto, porém, quando analisamos no longo prazo, nas infinitas ocasiões em que produtos abaixo das especificações repousam longamente em depósitos públicos por inadequação de uso, ou recompras de mesmo objeto, travestidas de novos processos, ampliam o rol do desperdício do dinheiro público, caem na vala rasa das ofertas que apenas a burocracia explica, e o pior, justifica.
O maior exemplo disto é o pregão. Diversos pareceres jurídicos já justificam a realização desta modalidade para serviços de alta complexidade, visando a “vantagem” pelo viés do custo, realçando a impressão de legalidade quando, na maioria das vezes, percebe-se, no médio prazo, um custo de propriedade brutal para os adquirentes das soluções “mágicas” oferecidas nos pregões. A sociedade do conhecimento está nos cobrando um preço alto demais por não sabermos valorar a sua subjetividade. As auditorias dos Tribunais de Contas limitam-se ao processo de compra, ignorando uma enorme quantidade de dinheiro público gasto erradamente, o que seria facilmente percebido se a auditoria acompanhasse o uso das soluções adquiridas durante o seu ciclo de vida normal.
Visando minorar o problema, a figura dos processos de técnica e preço aparece como um divisor de águas e um atenuante para questões técnicas mal resolvidas nas compras públicas. Por este mecanismo, reconhecem-se atributos técnicos que diferenciam as ofertas, em pesos que podem superar os impactos de preços. Ou seja, em um edital técnica e preço, a “vantagem” é comprar, dentre os melhores, o mais barato. Isto é vantagem real, desde que os pesos sejam distribuídos de forma técnica e equilibrada.
Da mesma forma que nos Pregões, esta modalidade tem o risco dos excessos. Pelo viés da técnica e preço, pode-se inverter a ordem dos pesos e qualificar melhor atributos pouco relevantes para o objeto da licitação. Assim, empresas que disfrutem das preferências do órgão licitante podem levar vantagens reais em uma licitação através da pontuação de itens que lhe sejam mais favoráveis, mesmo que estes contem pouco para a garantia de execução do contrato.
Neste ponto, onde a confusão é generalizada, o entendimento do que é de fato relevante para nortear os processos de compras governamentais torna-se essencial para o gestor público. Nenhum órgão deve ser penalizado se usar adequadamente a exigência de atributos como CMMI ou MPS-BR para licitações de software, mesmo sabendo que algumas empresas não participarão. Da mesma forma, licitações de serviços de segurança da informação com certificações ISO27001, ou para governança em TI (ISO20000), uma vez que estes selos garantem conformidade operacional destas empresas com os processos específicos do objeto contratado. A famosas certificações da família ISO9000 devem ser usadas quando aspectos de conformidade de processos produtivos sejam desejados. Embora garantam adequação de produto acabado em conformidade com requisitos de cliente, estas normas são pouco evidentes em atividades de processos e controles para atividades específicas ligadas à tecnologia, devendo pesar menos do que outros atributos reconhecidamente mais completos para tais atividades.
O certo é que o poder do Estado comprador não pode ser equivocadamente usado para beneficiar aquelas empresas que não investem em governança empresarial, em certificação dos seus processos finalísticos e, por conseguinte, que não atingem o nível de maturidade desejado para evitar compras inadequadas, levando ao desperdício do erário público. O equilíbrio entre a ética no uso das exigências corretas para escolha das empresas com capacidade para atender às demandas do Governo, dentro da lei, e a qualidade mínima desejada para as ofertas, é o ponto onde o Estado pode encontrar a sua melhor “Vantagem”. Ao se colocar como exigente comprador, o Estado incentiva a classe empresarial a investir em melhores práticas e em processos de qualificação, permitindo que a concorrência se dê entre iguais. Desta maneira, é imprescindível para os compradores que o corpo técnico responsável pelos processos de compra estejam atualizados em relação a estes requisitos, para que as compras públicas sejam o estímulo da atividade empresarial forte e inovadora, através de processos éticos e abertos, que valorizem mais os investimentos públicos.
sexta-feira, 6 de abril de 2007
Dizem por ai que o português é uma lingua dificil. Também não é para menos. Uma mesma palavra pode significar mil coisas e, as suas diversas combinações, mais mil. É tanta confusão que o entendimento do sentido correto só é possível com o conhecimento prévio dos fatos, personagens e história pregressa. Neste tom, vamos esclarecer algumas coisas. Quando falamos, por exemplo, “João ficou sem manga”, podemos estar falando de alguem que perdeu as frutas, o pasto ou partes da sua camisa, sem falar em partes de um motor e coisa e tal. Para entender a frase, temos que conhecer João, sua história, para depois sabermos de qual manga estamos falando.
Algum desavisado pode falar que isto é comum, e de fato é. Em outras línguas acontece a mesma coisa. Tal fenômeno chama-se polissemia (de poli = muitos; semia = significado). Aprender a lidar com os diversos significados talvez nos ajude a entender fatos contemporâneos representados pelos mesmos signos mas com resultados totalmente diferentes.
Somos o país do futebol e disso temos que nos orgulhar, afinal não é a toa que nas conversas de botequim seja este o tema preponderante. Em cada terreno plano nasce um potencial campo de futebol, pronto para as peladas de final de tarde e dos domingos. Tamanha é a semelhança entre os estádios e as antigas arenas e a predileção do povo em frenquentá-los que já relacionaram este esporte ao circo romano. Mudaram o conteúdo e os atores, porém o sentido é o mesmo. Me anestesia os percalços da vida uma boa partida de futebol. O gol do meu time, da minha seleção. Torno-me vencedor, independente de qual fracassado sou e, assim, me revelo em 11 caras que mal conheço, mas que muito bem (ou mal) me representam. Já ligaram os jogos da seleção e suas vitórias a aumentos de combustível, ao amor pela pátria (Todos juntos vamos, prá frente Brasil, Brasil, salve a seleção). O fato é, quando o povo está feliz a nação caminha em paz.
O País não cresce, a educação está em pandarecos, a saúde idem, e o Peixe vai fazer mil gols. Lamento o fato de estamos tão preocupados com assunto tão significativo e importante para o nosso futuro que chego a desejar que alguém, algum dia, proíba a pática de futebol no país, tamanha as sua capacidade de alienação. A nossa situação chega as barras do riso. O México cresceu 5,5%, depois de anos de crescimento contínuo. Em 2005, enquanto o Brasil cresceu 2,3%, a Argentina alcançou 9,1%; a conturbada Venezuela, de Hugo Chávez, 9%; o Chile, mais de 6%; a República Dominicana, 7%; o Uruguai, 6%; o Peru, 6%; e o Panamá, 6%. Será que é hoje que o Peixe faz mil gols ?
A expressão “Meu Peixe” significa, em bom português, “Meu protegido”, “Digno da minha consideração” e ainda, no bom português, “Aquele animal que se tira do mar” e mais, como no caso das milhares de famílias atingidas pela contaminação da Baía de Todos os Santos, representa a manutenção de um frágil ecosistema sócioeconômico. O “Meu Peixe” dos estádios parece ter mais importância do que o “Meu Peixe” de todo dia, do prato da mesa e da barriga cheia. Nossa vida jamais será a mesma depois dos 1000 gols. O imperador está feliz, o povo está feliz! Somos dignos da admiração internacional por sermos brasileiros, raça apta para as atividades futebolísticas e capaz de subjulgar um goleiro mais de 1000 vezes. Que potência que somos!! Que futuro o que temos!!
Ah! Palavras, tantos louvores, tantos significados, subjetivando as nossas vidas e relativizando as nossas percepções!!!
Na Bahia de Todos os Santos o povo aguarda o laudo de um dos piores crimes ecológicos que se tem notícia “nesse País” para saber, afinal, o que foi que aconteceu ? Foi vazamento de um dos dutos da Dow Química (soda cáustica, ou outro tipo de ácido)? Foi vazamento de um dos dutos da Petrobrás ? Ou foi a maré vermelha ? Acho que o laudo final que traz esta última opção como sendo a mais provável, além de perverso, subestima a capacidade de análise de qualquer mesa de butequim. Acho que o problema é que a comunidade de pescadores desta região (ah! Os pobres! Sempre os pobres!) estão passando por uma “Maré de Azar”. Dizer que a Bahia de Todos os Santos está poluída ao ponto de propiciar a proliferação de algas capazes de asfixiar os peixes nos leva a crer que o projeto Bahia Azul, tão propalado pela administração anterior, era uma farsa. Será que é só isso ? Será que por tão pouco um vazamento criminoso ficará impune ? É, meus pobres pescadores, vocês estão fritos! Os peixes estão vingados! A propósito, é hoje que o Peixe faz mil gols ? A vitória dos peixes estará completa!
Em qualquer lugar do mundo, a uma hora destas, toda a comunidade científica estaria de prontidão para analisar este fato. A imprensa em massa. Cada urubú morto após comer peixe asfixiado deveria ser fotografado tal qual cada investida do Peixe para o gol. A platéia deveria aplaudir cada vez que alguém lúcido abrisse a boca para dizer que este laudo é um engodo. A arena deveria estar lotada de brasileiros desejosos por ver a natureza, tão propalada atualmente, ser protegida como merece. Mas, infelizmente, não é isso que acontece. Estamos preocupados com mil gols, com a vitória do brasileiro bom de bola. E, nada de bom acontece!
Nesta semana santa, todo o Brasil pergunta, “Peixe, cadê o seu Gol ?”. Na Bahia de Todos os Santos, milhares de pescadores perguntam, “ Senhores, cadê o meu Peixe?”. Parece que falta Peixe para tantas obrigações. Com polissemia ou sem polissemia, o que eu de fato desejo é que esta “Maré Vermelha”, que poluiu o Brasil nos últimos anos e que está matando as instituições de asfixia, passe logo, antes que morramos todos! Por hoje, ainda tenho que defender o meu peixe! Somente no final do dia vou pegar um gol de volta para casa.