
sexta-feira, 28 de setembro de 2007
segunda-feira, 17 de setembro de 2007
Esqueçam Renan
Amigos, desde a última ação democrática do Senado, tenho me contido em escrever sobre o tema, dada a minha insatisfação e estupefação diante do fato. Contudo, tal qual um soldado ferido de morte no campo de batalha, ainda me restam fragmentos de força que me fazem rastejar até a minha metralhadora e desferir alguns poucos tiros antes de ser retirado para repouso. A questão que não quer calar é... Qual o direito que tem o Congresso de se colocar acima da lei e da ordem? Com quais instrumentos, exceto a força bruta, restam à população para fazer valer o seu direito de igualdade. Aquela estória (com “e” mesmo) de que todos somos iguais perante a lei, cai por terra quando os homens que fazem as leis as descumprem solenemente, e o pior, por um punhado de Dólares. Safados, filhos da puta, sem caráter, quem vocês pensam que são? O que vocês pensam que somos? Somos uma sociedade que tem acéfalos que votam em vocês e reiteradas vezes repetem o erro em fazê-lo, mas também somos uma sociedade que tem pessoas que pensam, que raciocinam e que não admitem que vocês façam conosco o que vocês estão fazendo. Não os reconheço como autoridades morais, nem como autoridades de fato, visto que vocês buscam no submundo do crime as razões para a sua existência. Corja de canalhas, isto não vai ficar assim!!!!
A única coisa que me resta pensar é que os nomes Deputado e Senador têm influenciado aqueles que ocupam tais cargos. Quando ouvimos deputados, sabemos que puta no meio. Os senadores... há! Os Senadores... A Sena é deles (eles todos ficam ricos) e a DOR é toda nossa.
sexta-feira, 31 de agosto de 2007
Rapidinhas
É porque tem ministro LevandoWisk.....
Sabe qual o nome novo do partido da Senadora Banguelelena ?
PDSOL (partido do dente Solto)
Sabe por que Débora Secco acha todos os homens iguais ?
Porque à SECO é muito complicado, prá qualquer um....
Extra, Extra... Furacão na Flórida afeta cotação dos Senadores em Brasilia.
quiáquiáquiá!!!!!
terça-feira, 28 de agosto de 2007
O DissiDENTE
Pluft!!!
Puta que o pariu, pensou assustada a Senadora...
- Dentista “fela da puta”, provisório vai ser é o seu registro...
E lá se foi o dente, livre como um pássaro a voar diante das câmeras de TV para milhões de telespectadores.
Desde o início da semana, a Senadora suspeitava que aquele dente, que já lhe havia pregado uma peça há alguns anos atrás, preparava-lhe algo verdadeiramente surpreenDENTE.
Precavida, foi consultar-se com o seu dentista que já há muitos anos lhe cuidava da saúde bucal. Aproveitou que estava em sua terrinha e dirigiu-se para o endereço de costume, na praia de Pajussara. Ao chegar lá, deparou-se com uma monumental fila de prováveis clientes, os quais aguardavam ansiosos a abertura dos portões. Desde a última crise no sistema de saúde do seu Estado, restaram poucos os profissionais de saúde dispostos a trabalhar sob as condições ofertadas pelo governo. O Dr. Jacinto era um deles.
Sem entender nada, foi até o porteiro, um rapaz alto e forte, vestido de paletó azul que, em vão, tentava conseguir conter os ânimos da multidão.
- Sr. Bom dia, eu sou a Senadora e gostaria de saber se o doutor Jacinto Dores se encontra.
- O Dr. Jacinto está em greve
- Greve, mas como assim ?
- Greve minha senhora! Ele tem bem uma semana que não vem aqui.
- E, não tem nenhum outro profissional na cidade que possa vir atender a toda essa gente?
- Num sei não! - Disse com ar conclusivo o cidadão..
Desiludida, a Senadora deu meia volta e contemplou a verdadeira revolução popular que aflorava a sua frente. Crise na educação, crise na saúde, crise no ar, crise na terra... Em vão, buscou palavras que pudessem ser usadas em seus próximos discursos de protesto contra o presidente, seu ex-amigo e aliado, que fossem significativamente representativas da situação. Após algumas horas pensando, enquanto perambulava pelo centro da cidade, lhe veio a única palavra que podia sintetizar tudo aquilo que seus olhos resistiam em ver.
- FUDEU!!!!
Mal acordava de seus pensamentos exitosos por encontrar a síntese do governo popular instalado no país, recebeu um banho de água vindo de uma poça formada pela chuva do dia anterior. Um carro conversível, uma Mercedes de último tipo, em alta velocidade, dirigido pelo igual colega Senador, não poupou a ilustre senadora de um ilustrativo banho. Sem perder tempo no Aurélio, recorreu ao mesmo dicionário que lhe havia brindado com o pensamento anterior para proferir uma saraivada de impropérios capazes de fazer corar até os mais despudorados.
De repente, uma dor insuportável vinda das profundezas da boca, lhe lembrou que o referido dente ainda necessitava de cuidados especiais e sem saber ao certo para onde ir, perambulou pelas ruas na esperança de que pudesse encontrar algum remanescente que lhe restabelecesse a paz. Hoje pela tarde ela teria que voltar à Brasília para participar de uma entrevista em um programa da TV aberta e este dente poderia ser um problema.
Foi quando avistou, no fim da rua, uma placa. Dr. Prudente, especialista em próteses e cirurgia geral. Para seu espanto, não havia fila na porta e parecia que o estabelecimento estava aberto.
- Tem alguém ai? - Bradou a senadora...
- Pois não, sou o Dr. Prudente, em que posso ajudá-la?
- Mas o senhor não está em greve?
- Sou recém-chegado e ainda não pude me interar das coisas da terra. A senhora é minha primeira cliente.
Um misto de medo e desesperança afogou os pensamentos da Senadora, cada vez mais sem opção.
- O senhor é formado?
- Claro, sou formado pela Faculdade Alegria, a senhora conhece?
- Nunca ouvi falar...
- Em primeiro lugar gostaria de lhe dizer que é uma honra atendê-la!
Disse o doutor enquanto arrumava a cadeira...
Ferros, crashes, plings e blongs depois, veio a sentença...
- O seu dente posterior esquerdo, está perdido. Temos que arrancá-lo
- Mas como? Tenho uma entrevista esta semana e não posso aparecer sem dentes...
- Não se preocupe, colocarei um provisório. Ninguém vai notar.
Acostumada às coisas definitivas a senadora teve que ceder aos argumentos profissionais do Dr. Prudente.
-Deva avisá-la senadora... Com o tempo, Vêm os anos, vão-se os dentes.
- Quando precisar pode me procurar que eu sou especialista em próteses e posso lhe restabelecer o sorriso caso lhe faltem dentes.
Irritada com a ousadia do protético, saiu com seu dente provisório rumo ao seu compromisso.
Câmeras, luzes, ação, deu-se inicio o evento..
Após a primeira pergunta, quando se preparava para limpar a garganta, a senadora viu ruir as suas chances de ir para a Playboy. O dente, fugiu do seu controle e partiu rumo a carreira solo, literalmente.
Mão na boca, suspiro geral, só lhe viram a mente as palavras do Dr. Prudente... “Com o tempo, vêm os anos e vão-se os dentes”
Moral da história... “ Os esquerdistas, quando novos, são contra a ditadura... Quando velhos, são a favor da Dentadura”.
segunda-feira, 9 de julho de 2007
DOIS PRETOS E DUAS MEDIDAS...
Antes que os racistas de plantão me chamem de colega, quero lhes dizer que, como não sou parente do cônsul da Suécia, sou, tal qual 99% da população baiana, afro-descendente com muito orgulho, até porque a cor me cai muito bem. Talvez não seja 100% negro, mas, se morasse nos Estados Unidos, talvez pouca diferença existisse entre a minha pele e a de Pelé.
Assim é o mundo, desde os seus primórdios. No começo da colonização do Brasil, os nossos parentes degredados mandavam seus filhos estudarem na Europa, se sofisticarem na corte, para depois animarem os saraus e festas promovidas por nossos antepassados. Era absolutamente chique vestir as roupas que eram usadas na França e copiar os gestos tresloucados da elite imperial, mesmo no clima tropical do Brasil. Vestindo-se assim, era fácil separar os ricos e influentes dos pobres. As tribos se caracterizavam não por aspectos individuais comuns dos seus membros, mas pelo estereótipo de algo que, no velho mundo, representava o poder e a riqueza.
Talvez este costume seja lastreado em algum aspecto genético do ser humano, ligado quem sabe à preservação da espécie. Porém, o fato é que a representação da posse de patrimônio funcionava muitíssimo bem na época em que as terras e os títulos definiam os cidadãos e suas respectivas castas sociais. Com o advento da revolução industrial, no século XIX, a propriedade dos meios de produção passaram a ser o fator de geração de riqueza e ostentação de poder. No mundo do tangível, a materialização das representações sociais são facilmente auditáveis, pois estão lastreadas em coisas em que se pode tocar. A pergunta que não quer calar é: Por que então no mundo do imaterial, do virtual, os brasileiros insistem em trabalhar com as questões sociais tal qual estivéssemos no século XVI ?.
O acesso as altas castas da sociedade é permitido àqueles que, tal qual nossos primos enfeitados com os métodos europeus de então, ostentem características externas em que sejam exacerbadas as evidências físicas de posses e poder. Um afro-descendente em tons mais escuros tem mais dificuldade de morar em um condomínio de luxo do que um mesmo afro-descendente de tez mais clara. Os seus filhos não podem se casar com loiras bonitas sem que pareça interesse de sua parte usurpar uma condição pertinente à sua parceira. Idem para as suas filhas que não podem se casar com o filho do cônsul da Suécia sem parecer que é aproveitamento de gringo para sair da miséria. Ou seja, o fato dos africanos terem sido escravos lhes tirou o direito de serem comparados aos arianos no plano social. Somos liberais em uma sociedade de costumes absolutamente racistas e pagamos o preço da segregação.
O pior é que a comunidade Afro-descendente entrou na briga e criou a sua própria casta, invertendo a lógica do ser dominado e passou a requerer protecionismo, aumentando, ao meu ver, a sua condição de vítima da sociedade. Nos primeiros dias após a libertação dos escravos deve ter sido primordial a adoção de medidas que lhes assegurassem o seu direito de serem livres e a sua inserção na sociedade. Mas, passados 119 anos da abolição da escravatura no Brasil, ainda precisamos de cotas? Ou serão as Cotas a única resposta do governo à questão da ascensão social do negro no Brasil? A ausência de uma abastada elite negra no País, em número suficiente para que a mensagem de que todos somos iguais perante o capitalismo seja passada de forma contundente, com certeza impede que as manifestações racistas sejam abrandadas, senão abolidas. O problema não é a cor da pele. O problema é a condição social. Os afro-descendentes estão associados à pobreza e a associação a eles remete a esta condição social. Um empreendimento de luxo talvez tenha restrições aos afros para que fique clara a condição de associação de status e riqueza do empreendimento. Ainda não fazemos propagandas de carros comprados por afros para que a mensagem de que este produto não é para qualquer um e que este é apenas para os “selecionados” seja passada como diferencial maior deste carro. Ou seja, quando a sociedade associa cor da pele à condição social, tal qual no inicio da colonização do Brasil, os de pele menos favorecida são excluídos.
Quando uma ministra se dá ao luxo de dizer que é natural um homem de pele negra não gostar de um homem de pele branca, evidencia o quanto estamos longe do verdadeiro problema. Homens brancos já escravizaram homens brancos e nem por isso eles devem se odiar. Quando o governo institui as cotas, abre espaço para que aqueles que na sua pobreza foram desprestigiados de uma educação de base digna, sejam incluídos à força nas instituições de nível superior. Este não é um assunto de inclusão social simplesmente, é matéria de estatística, muito boa para os governos, mas questionável em termos de única solução para o problema. Será que a grande maioria sem base conseguirá se superar e se transformar em geradores de riqueza, em profissionais da sociedade do conhecimento? Onde eles vão aprender a pensar, a ter a visão crítica da sociedade? É no mesmo lugar em que deveriam estar se especializando em uma profissão? O nosso caso volto a dizer, não é se o quadro é preto ou branco, o nosso problema é se o homem é pobre ou rico e aí as questões como distribuição de renda, falta de planejamento, corrupção, falta de preparo dos governantes para governar, leis feitas no joelho e cumpridas quando convém, falência na educação do país, baixas taxas de crescimento, juros altos, muitos impostos, vão sendo colocadas por baixo do tapete, com soluções tampão para as suas conseqüências.
Se quisermos ser iguais de fato e de direito, temos que optar entre duas alternativas: Ou evoluir a mentalidade social do Brasil para que deixemos de nos valer de estereótipos para classificar a quem nos juntamos, ou cobramos da sociedade que prepare o seu povo, pobres e ricos para a igualdade. Que as instituições sejam iguais para todos, afinal não há nada mais racista do que um Estado que trata pobres e ricos diferentemente. Que os homens e mulheres do Brasil sejam respeitados na sua condição de cidadão com educação digna e condições de saúde idem. Devemos cobrar medidas saneadoras e não paliativas para esta praga social que é a discriminação social, para que todas as raças tenham chances iguais de se tornarem seres sociais sem distinção. Aí quem sabe, a cor da nossa roupa passe a ser apenas um detalhe a mais do nosso visual.
quarta-feira, 16 de maio de 2007
O Voto Emocional
O Voto Emocional
- Minhas Senhoras e Meus Senhores!!
- Povo da minha terra!!
- Gente como eu!!
- Meus amigos!!!
Deve estar no manual do “politiquês” moderno que se o político usar uma das frases acima poderá angariar alguns votos de simpatizantes que o verá como um ser do povo, amigo do povo e que trabalha incansavelmente pelo povo. Quem de nós não já se surpreendeu ao ver pessoas claramente mentindo em horários políticos da televisão escondendo-se por trás de frases de efeito como “tudo pelo social!!”, “gerando emprego e renda!!”, na nítida percepção de alguém vai acreditar neles.
O fato é que todos nós sentimos amor, amizade, desprezo e até ódio por algumas pessoas em nossas vidas. Esses sentimentos, segundo “a Vidente” Jo-Ellan Dimitrius em seu livro “Decifrar Pessoas”, tendem a comprometer nossa objetividade. “Não queremos pensar mal das pessoas que amamos e não queremos ver nada de bom naquelas que odiamos. Para complicar ainda mais a questão, não gostamos de mudanças. Por segurança e conveniência, temos um compromisso emocional – conosco – de manter as coisas exatamente como estão. A mesma corrente subterrânea que nos leva na direção do Status Quo também deturpa nossa objetividade quando estamos decidindo se devemos mudar”. Diz ainda a mesma escritora “quanto maior o compromisso emocional, maior a tendência a se comportar irracionalmente”.
Quinto Túlio Cícero, em carta ao irmão, Marco Túlio Cícero, candidato ao Consulado no ano 64 antes de Cristo, aconselhava-o a pensar, todos os dias, nas seguintes perguntas: “Que cidade é essa? Que cargo você pleiteia? Quem é você?” E sugeria a resposta: “Sou um homem novo, quero ser cônsul, aqui é Roma”. O homem novo expressava o perfil de resistência aos preconceitos dos velhos políticos; o cônsul era o cargo público mais elevado, algo como o presidente da República; e Roma designava tanto a capital quanto um país de vasta extensão que dominava o mundo mediterrâneo. Assim, como podemos observar, a fraqueza humana para o lado emocional no momento de avaliarmos os candidatos aos cargos públicos vem dos primórdios da sociedade organizada.
A quebra de paradigmas é o principal desafio imposto pelos que chegam ao mundo da política, para que os observadores o vejam como algo diferente, desafiador da ordem vigente e, portanto, merecedor de preciosos votos daqueles que ousam quebrar as barreiras da sua zona de conforto. De um jeito ou de outro, votamos pelo que sentimos e não pela racionalidade.
José Serra claramente perdeu a eleição para a presidência do Brasil porque não sabe sorrir, é feio e não fala a língua do povo. Atributos absolutamente dispensáveis quando pensamos em um administrador da coisa pública. Mesmo com a superexposição que recebeu na campanha, que o permitiu galgar rapidamente ao cargo de Governador do Estado, ele não teve chances contra um cara simpático, sorridente, de pensamento objetivo e curto e que é o povo encarnado. Quando ouço Lula conversar, fecho os olhos e me reporto ao botequim da esquina discutindo a ótima performance do Vitória no campeonato baiano e o porquê do Bahia estar na terceira divisão. E isto não o impediu de se eleger presidente da república por duas vezes consecutivas.
Ganhar o povo e a sua simpatia passaram a ser o único instrumento necessário a alguém se eleger a um cargo público. Propostas concretas para a melhoria das nossas vidas é algo secundário e acessório que não entra na discussão quando o assunto é política. Como resultado, ganhamos um poder público que legisla em causa própria, só pensa em poder, votos e dinheiro, sem se importar com os impactos negativos à sociedade dos quilos de decisões não tomadas por não se traduzirem em votos, dinheiro e poder ou por serem impopulares.
A cidade do Salvador é um exemplo claro disto. Temos uma prefeitura que não trabalha, vereadores que jamais viram uma verdadeira metrópole, sem falar nas comissões improdutivas do Estado e nos problemas estruturais que temos e não sabemos resolver. A nossa simpatia e medo de mudar, medo de pensarmos diferente, está nos condenando à mediocridade.
Se agíssemos diferente, cobrando propostas concretas de um pensamento desenvolvimentista e planejado dos nossos governantes, quem sabe poderíamos eleger pessoas feias e antipáticas, mas profundamente competentes, que poderiam resolver problemas sociais graves que temos há anos e que os bonitões não querem resolver. O voto do chinelo, da camisa, da falsa amizade, está sustentado por um sorriso temporal, por uma disponibilidade de acesso ao político absolutamente pontual e sem nenhum benefício concreto. Trocar nosso futuro por um par de chinelos, um emprego da tia, ou um amigo no poder é jogar fora a nossa chance de futuro. Deixar a emoção para a Fonte Nova no domingo, sem perder senso critico, é melhorar as nossas possibilidades de um futuro melhor e, com certeza, é diminuir a sensação de que somos diariamente enrolados.
quarta-feira, 2 de maio de 2007
É Só Alegria
Diz o povo que a hiena é um animal que come os seus restos e ri. Ri de que mesmo hein ? Talvez este animal consiga sentir um gosto especial, que vai além da nossa capacidade e, por isso, achamos o seu paladar um tanto singular. Existem populações que comem tantas “especiarias” exóticas que nos impedem de conceituar as hienas como anormais. Da mesma forma, existem pessoas que diante da situação mais grave e absurda em suas vidas, uma vez indagados sobre a sua condição atual, dizem sem pensar – É só alegria!!!.
Outras pérolas saem das mentes férteis destes que, tal como as hienas, reajem de forma incomum diante de um fato de aspecto estranho. Todos nós discernimos as coisas fundamentalmente da mesma maneira, porém cada um de nós traz a essa capacidade comum uma interpretação individual adicional. O bioquímico e prêmio Nobel Gerald Edelman observou que, embora os cérebros individualmente sejam extraordinariamente diferentes, eles compartilham “experiências, características e padrões neurais comuns especialmente na experiência sensorial. Sem essa base comum, seria impossivel nosso entendimento exceto em mundos individuais isolados. Assim, nossa compreensão usa uma base neurológica humana comum, mas implementações individuais singulares.
Embora não precisemos nos aprofundar na neurociência para compreender do que estamos falando, tais informações são bastante úteis para que percebamos o quanto podemos ser ajustados à uma realidade conveniente. Nos mesmos estudos sobre os mapas da mente, se constatou que os nossos cérebros não utilizam cem por cento das informações captadas no meio externo para formarem os conceitos. Experiências prévias, outros conhecimentos ou dogmas arraigados nas profundas da mente montam esquemas chamados de modelos mentais, os quais deixam pequenas lacunas para informações novas que vão nos dizer do mundo que nos cerca. Em outras palavras, uma vez montados os nossos esquemas, captamos apenas parte do que vemos para formar o nosso entendimento do cenário ao nosso redor. O nosso computador pode ser programado para agirmos em conformidade com preceitos sociais, culturais, etnicos, religiosos e políticos, de forma que atuemos em conformidade com a ordem vigente.
Talvez isto explique porque uma pessoa que não goza de absolutamente nenhum respeito da sociedade, visto que lhe falta educação, saúde, moradia digna, pensamento crítico que lhe imunize de programações nefastas, possa dizer que sua vida de tristeza pode ser resumida à frase “É só alegria”.
Não preciso escrever muito para dizer o quanto não aprecio as campanhas que tentam inflar o ego das populações carentes em busca da formação de um “modelo mental” que lhes alivie a dor de viverem nas condições em que vivem e, ainda por cima, compareçam como fiéis escudeiros de uma ordem vigente. Em um país onde a educação é tratada como algo enfadonho que faz parte das pastas governamentais mas que não desfruta de nenhuma preocupação lógica, largamente desprezada em função dos interesses de “marketing” proporcionados pela causa, fica muito fácil emburrecer uma população, tirando-lhe a capacidade de consciência crítica e o seu poder de reinvidicar o que lhe é de direito.
Em um país em que um criminoso que leu meia dúzia de livros é tratado como gênio, onde quem fala difícil é tido como culto e onde os meios de comunicação se prestam unicamente à valorização dos seus espaços publicitários, é muito fácil ter uma população em cujo modelo mental não caibam inputs relativos à baixa escolaridade, ao descalabro na saúde pública, ao recrudescimento do crime organizado e da violência acalentada pelo poder público, à corrupção generalizada nos governos e do vazio dos líderes populistas fronteirissos de carteirinha.
Nós baianos fomos submetidos à uma campanha intensa de que somos belos, criativos e felizes. Que ser 100% negro é motivo de orgulho e até status. Mas de que mesmo hein ? A nossa população negra, que é maioria no Estado, possui os piores salários, os maiores índices de desemprego, os maiores índices de analfabtismo, precisam de vagas reservadas nas Universidades para poderem ter acesso ao ensino superior. A nossa população em geral é criativa, mas destruímos teatros para o funcionamento de bingos, estamos destruíndo a nossa indústria da música sem colocarmos nada em seu lugar. Sabemos receber mais os números do nosso turísmo são pífios se comparados a outros destinos até menos graciosos do que a nossa bela Bahia. Os nossos serviços são da pior categoria. A nossa indústria da tecnologia da informação não decola por falta de profissionais capacitados para tal, a população está empobrecendo, a capital do Estado está falida e as instituições públicas completamente podres. Mas mesmo assim... É Só alegria!!!
Sinceramente, não consigo entender o que está acontecendo!!!
Ou estamos presenciando um fenômeno de cegueira coletiva, ou estamos indo a passos largos rumo ao nosso fundo do poço. Temos que reprogramar os nossos modelos mentais, negar a toda forma de emburrecimento coletivo, a toda propaganda falsa que sirva apenas para nos transformar em símbolos de campanhas de curto alcance e de benefícios limitados à pequenos grupos. Precisamos tomar o rumo das nossas vidas, discutir ativamente o nosso futuro, sair da mediocridade de acreditar piamente em quem apenas enxerga o seu próprio umbigo. Temos que romper os grilhões desta escravatura cultural em que nos metemos e pensar criticamente em nossos destinos. Podemos também não fazer nada disto, continuarmos lindos, negros e felizes, pensar que tudo isto faz parte da teoria da conspiração e, quando o futuro chegar, quando estivermos mendigando as raspas de um mundo tecnológico e global, agradeceremos aos nossos senhores com um belo sorriso e com o indefectível... É Só Alegria! Axé!
Paulinho de Tarso – 02/05/2007